Iserj faz 137 anos
11/04/2017
Aula Inaugural Discutindo Autonomia, Planejando a Pedagogia
13/04/2017
Mostrar todos

Iserj 137 anos – Um Concerto: rumo a um Conserto?

Iserj 137 anos – Um Concerto: rumo a um Conserto?

5 de abril de 2017, dia-testemunha dos 137 anos do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, criado como Escola Normal da Corte em 1880. No saguão da escola centenária, um concerto. Apresentação da Orquestra Filarmônica Villa-Lobos e as Crianças, iniciativa e regência de Sérgio Barbosa, Maestro e Professor da Escola.

Na escola centenária, o vazio e silêncio dos corredores e pátios falam da dor,  do sofrimento, do risco da desesperança, da indignação pelos graves atentados à Educação Pública, direito de todos, dever do estado. Educação Pública, conquista dos cidadãos, sonho, razão e compromisso de Anísio Teixeira, de tantos ao longo do tempo. Instituto de Educação, patrimônio vivo da cidade, do Estado do Rio de Janeiro,  da sociedade brasileira.

Na escola centenária, do silêncio brota a música. Notas, acordes começam a envolver  as sólidas, resistentes paredes de pedra. Villa-Lobos, Bach, hinos que nos falam de lutas, identidades, vidas. Música entremeada por lições de história, por denúncias necessárias, por menções a êxodos, às lutas populares, a uma flauta mágica (Mozart) em meio a embates de tirania, provações e libertação. Pouco a pouco aproximam-se algumas pessoas, chegam crianças, bandeiras nos surpreendem, tímidos, espontâneos depoimentos. Quais as nossas bandeiras?

Música e silêncio, sombra e luz. Nos espaços, nos corações. A arte, que em tantas circunstâncias adversas  ao longo da história foi companheira da resistência, convoca nossas emoções, nossas reflexões sobre os desafios do momento. Reflexões sobre movimentos singelos, por vezes vistos como inócuos diante do avassalador empenho na destruição, mas que nos levam a pensar sobre belos concertos e consertos necessários. Esperança?

Concertos nos lembram melodia, harmonia, dissensos, pluralidade que embeleza e nos contagia. Com quem podemos nos concertar?

Consertos, radicais concertos nas políticas públicas, nas ações governamentais,  são necessários para assegurar-se a sobrevivência, a continuidade da Educação Pública, dos serviços públicos, dos servidores públicos. São indispensáveis, inadiáveis, para restaurar-se a vida da escola. Vida que teima em brotar, em re-existir na e pela luta de professores, estudantes, funcionários, luta que esgota, dilacera, mas que precisa persistir.

Uma menina pequena rege a orquestra por alguns momentos. E a poesia do instante nos lembra a poesia de Thiago de Mello:

Não deixarei, e não deixemos nunca,

que os inimigos da infância,

os que têm  pavor da aurora,

devorem também o nosso gosto de viver.

Conquanto malferidos, resistamos.

 

Por Maria Lucia Cunha Lopes de Oliveira – Ex-aluna, ex-professora,  mãe de ex-aluno do Instituto de Educação, sempre aprendiz no Instituto de Educação. Conselheira Benemérita do Iserj.